O que buscam os eleitores de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad no Google

Por: Guilherme Pinheiro, nota

Publicado em 25.out.18 às 11h30

Com o segundo turno batendo a porta, eleitores acompanham os principais desdobramentos envolvendo seus candidatos, como também seus oponentes.

Essa tendência pode ser facilmente visualizada nas buscas do Google. Por exemplo, em menos de sete dias após a divulgação da reportagem da Folha de S.Paulo sobre possível Caixa Dois1Caixa Dois é uma prática ilegal. Isso acontece quando uma empresa não declara ao órgão competente recursos financeiros, como doações a candidatos ou partidos, por exemplo. de Jair Bolsonaro (PSL), o principal termo relacionado ao militar não poderia ser outro.

Já para o Fernando Haddad (PT), mesmo já tendo passado pouco mais de uma semana das polêmicas declarações de Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes (PDT), o assunto continua reverberando no site de pesquisas.

Lembrando que os dados do Google Trends, plataforma para monitorar tendências nas buscas do Google, não tem relação com pesquisas de intenção de votos.

Os dados foram compilados entre os dias 16 de outubro de 2018 e 22 de outubro de 2018.

Jair Bolsonaro PSL

caixa dois

Reportagem da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, indicou uma possível prática de Caixa Dois – isto é, uma doação financeira não registrada oficialmente – feita por um grupo de empresários às vésperas do primeiro turno.

A finalidade seria comprar pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp. Segundo o Partido dos Trabalhadores, o conteúdo de tais mensagens seriam notícias falsas contra Haddad.

A matéria apurou que os valores dos contratos chegam a R$ 12 milhões e um das empresas envolvidas é a Havan, de Luciano Hang. Bolsonaro retrucou a acusação “Não tenho amizades com empresários e nunca pedi isso a empresários. O que pode acontecer, talvez, é algum empresário instigado pelo PT ter feito isso aí para jogar a culpa em cima de mim”.

tse / impugnação / cassação

O principal reflexo da reportagem da Folha foi o pedido de investigação da chapa do político do PSL, feito pelo Partido dos Trabalhadores, que poderia gerar uma possível impugnação (cassação) da chapa.

Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Jorge Pussi deu prosseguimento a ação na sexta-feira (19). Bolsonaro, por sua vez, negou a participação no esquema e anunciou ação contra Haddad por ter sido chamado de ‘criminoso’ depois da denúncia.

klu klux klan

David Duke, ex-líder do grupo racista norte-americano Ku Klux Klan, elogiou Bolsonaro em seu programa de rádio no dia 9 de outubro.

Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista

manifestação

Às vésperas da eleição, grupos pró e contra o candidato se reuniram nas principais cidades do país. No sábado, um grupo de pessoas se reuniu em frente ao vão do MASP contra o presidenciável em manifestação convocada pelas frentes Brasil Popular, Povo sem Medo e o movimento Mulheres Unidas contra Bolsonaro. No domingo, o mesmo local contou com a presença de apoiadores de Jair.

Fernando Haddad PT

cid gomes / comício

Senador eleito pelo Ceará em 2018 e irmão do ex-candidato Ciro Gomes, Cid Gomes cobrou autocrítica do PT durante comício em apoio a candidatura de Haddad.

Se quiser dar um exemplo pro país, tem que fazer um mea culpa, tem que pedir desculpas, tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira.

A frase gerou reação contundente da plateia e Cid retrucou “Vão perder feio [a eleição]”. Após gritos favoráveis ao ex-presidente Lula, Gomes disse “- Lula o que? Lula está preso, babaca. O Lula está preso, o Lula está preso, e vai fazer o que?”. Apesar do atrito, Cid segue em campanha a favor do petista.

caixa dois

Após as acusações sobre um possível Caixa Dois de Bolsonaro, Haddad criticou a demora do TSE em agir para coibir a desinformação na campanha adversária.

“Estamos a 10 dias do segundo turno. Se a Justiça tomar providências, podemos ter menos desequilíbrio no segundo turno do que teve no primeiro. O que aconteceu já é muito grave. Muitos parlamentares, uma parte do novo Congresso, foram eleitos com base nessa emissão de mensagens. Santinhos foram distribuídos em massa. É uma Justiça analógica para um crime digital”, disparou.

juristas

Na última quinta-feira, Haddad participou de um encontro com um grupo de advogados e juristas. Nele, o ex-prefeito da cidade de São Paulo recebeu um manifesto com mais de 1.500 assinaturas em favor da continuidade do regime democrático.

stalin / socialismo

Nos último dias, uma declaração de Haddad em 2011, quando ainda era Ministro da Educação, viralizou. Na época, durante uma Comissão de Educação do Senado, Fernando criticou os ataques ao livro “Por uma Vida Melhor”, que defendia o não uso da norma culta em determinados momentos.

Haddad então disse “Criticar obra sem ler é fascista”. Em resposta, o então senador pesedebista Álvaro Dias retrucou falando que até mesmo Stalin defendia a norma culta. Haddad, em contraponto, declarou “Há uma diferença entre o Hitler e o Stalin. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stalin lia os livros antes de fuzilá-los. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler.”

O trecho foi republicado em uma série de canais favoráveis a Bolsonaro com títulos como “Professor Haddad explica a diferença entre Hitler e Stalin: meu genocida favorito”, e Haddad exalta Josef Stalin! “Ele lia antes de Fuzilar”.

Guilherme Pinheiro

Guilherme Pinheiro

Repórter em formação. Líder no segmento de Podcasts no Nota Jornal. Apresentador do Contexto e comentarista no Eufonia Podcast.

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Augusto Conconi

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Editor de Especiais & Agências
Cofundador do Nota Jornal

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